A Exuberância e a simplicidade do Ser

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João de Deus de Souza – Padre, Filósofo, Psicólogo, Psicanalista, Escritor


Segundo a Psicanálise, há em cada pessoa três impulsos básicos denominados: impulso de autoafirmação, impulso sexual e o impulso da autotranscendência. Em muitos momentos nas labutas diárias, ora prevalece um ou outro. A busca pelo equilíbrio deve ser a meta prioritária de cada pessoa.

Como a maior parte de nós é inconsciente, é preciso desatar os nós entre estes impulsos sem rasgar a embalagem. Isso é o que podemos ver em uma terapia bem-sucedida.
O fato é que o inconsciente se manifesta em tudo o que somos, fazemos ou deixamos de fazer. Já São Paulo farejava a interferência do inconsciente em seu próprio comportamento, quando confessava: “Não compreendo o que faço; o que eu quero eu não faço, mas faço o que odeio” (Rm 7, 15).

Sendo assim, percebe-se as diferenças entre as pessoas na convivência. Cada uma se manifesta buscando agradar, agredir ou se defender. As ações são variadas: pela voz, pela fala, pelos gestos, pelo caminhado, pela postura das mãos, do olhar, das pernas, enfim, de todo o corpo.

Assim, vemos pessoas que são ruidosamente alegres. Ora, a alegria é benfazeja quando faz parte do íntimo de alguém: não precisa se prevalecer, pois é uma alegria pura, tranquila. Há também aquelas pessoas que falam o tempo todo e não escutam o outro. Estas também buscam se auto afirmarem, querem ser o centro das atenções, buscam dominar os outros pelo poder de persuasão ou razão. Há que se questionar também aquelas que se enclausuram, ficam o tempo todo encapsuladas, pois vivem dentro do “seu mundo”.

É preciso destacar, em nossa sociedade, as que se manifestam, em primeiro lugar, pelo impulso sexual. É público e notório a exacerbação do erótico em todas as rodas sociais. É sabido que, nesta nossa sociedade, em que pululam os ídolos: o ter, o poder, o prazer, o aparecer, as pessoas ora estão adorando um ou outro ou todos em todos os momentos.

Faz-se necessária uma auto avaliação constante nas relações em qualquer instituição buscando uma sadia convivência entre as pessoas. Quando eu me analiso, busco confrontar-me com o outro, e assim vejo onde exagero na dose extrapolando o meu ser genuíno. Essa autoanálise pode ser feita pela própria pessoa, mas quando essa não consegue enfrentar e domar “seus leões” internos, torna-se necessária uma terapia e, para isso, temos muitos psicólogos e psicanalistas à escolha.

Muitas vezes escutamos que a convivência com o outro é difícil. Quando partimos da premissa que a vida é simples, a convivência com o outro torna-se agradável, pois, propicia alegria que vem das descobertas, dos confrontos, do prazer de conviver já que o outro é meu irmão e não um rival sempre pronto a “puxar o meu tapete”.

Lembre-se sempre dessa máxima: “Quando José fala de Pedro, está falando mais de José que de Pedro”.
Em síntese, deve-se buscar a pureza do ter, o servir do poder, a magnanimidade do prazer, a elegância do aparecer, a exuberância, a doçura, a simplicidade, o equilíbrio e a autenticidade do ser. É no equilíbrio e maturidade dos impulsos que Deus mora, por isso se afirma que em cada pessoa há “um Deus inconsciente”. Busque se conhecer para viver e conviver com os outros. Seja você em todas as situações.

Foto Divulgação

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