Autora de outro recurso contra a suspensão da entrega do Título de Cidadão de Salvador a Flávio Bolsonaro, em um comício do candidato a presidente da República, em pleno Farol da Barra, no sábado (17), a vereadora Aladilce Souza diz que a liminar publicada na manhã desta sexta-feira (16) pelo Tribunal de Justiça da Bahia, deferindo parcialmente solicitação de uma cidadã baiana, Maria Lúcia Andrade da Silva, “prova a ilegalidade deste ato, que confunde uma homenagem legítima da Câmara com um ato eleitoral”.
Assinada pela juíza Carla Graziela Costantino de Araújo, a decisão determina que o legislativo se abstenha de realizar a solenidade de entrega da honraria e “suspenda a transferência da sede legislativa para o Farol da Barra com essa finalidade, postergando qualquer ato solene oficial de outorga da comenda para momento posterior ao encerramento definitivo do processo eleitoral de 2026, no prazo de cumprimento imediato contado da intimação desta decisão”.
Rever o mérito
Na Notícia de Fato que protocolou, dirigida ao procurador-geral eleitoral Paulo Gustavo Gonet Branco, Aladilce também alertou para a necessidade de intervenção urgente do Ministério Público Federal Eleitoral, devido à “ilegalidade da entrega em um palanque eleitoral”. Ela pediu a suspensão do ato, sem prejuízo da entrega da honraria em outra oportunidade e em solenidade regular. “Essa entrega de uma honraria oficial da Casa em um palanque eleitoral, sem dúvida configura abuso de poder político”, argumenta.
Apesar de comemorar a decisão da Justiça, Aladilce defende que a concessão do Título de Cidadão seja revista pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), da qual é vice-presidente, justificando que a honraria deve ser um reconhecimento a trajetórias que sejam vistas como exemplo para os soteropolitanos. “E Flávio Bolsonaro não é exemplo para ninguém. Ele é investigado em várias operações da Polícia Federal por envolvimento com milicianos, lavagem de dinheiro via loja de chocolate, rachadinha no gabinete e pedido de milhões de reais a Daniel Vorcaro, do Banco Master, preso por corrupção, a quem ele trata por irmão”, justifica.
foto : divulgação Aladilce Souza