Desligamento em equipe de campanha traz à tona debate sobre assédio moral e direitos trabalhistas

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O desligamento coletivo de profissionais da equipe de audiovisual contratada para a campanha eleitoral de um candidato ao governo do Estado, nas eleições deste ano, colocou novamente em pauta os limites e os desafios do combate ao assédio no ambiente de trabalho. Segundo informações divulgadas pela imprensa, trabalhadores do setor de áudio e vídeo solicitaram afastamento de suas funções em solidariedade a uma colega produtora.

A profissional teria sido desligada da equipe após reportar um caso de conduta inadequada por parte de um integrante da coordenação de produção. Os nomes da trabalhadora e dos demais envolvidos foram mantidos sob sigilo para resguardar a identidade da vítima.

Até o momento a campanha de ACM Neto não enviou nota sobre o caso. Ressaltamos que estamos aguardando o posicionamento sobre a situação que causou um alvoroço na imprensa baiana.

Um ponto importante a salientar é que a gestão e a contratação das equipes técnicas em campanhas políticas ficam a cargo das produtoras terceirizadas e que denúncias formais devem ser tratadas nos canais competentes.

O caso ilustra uma realidade recorrente em ambientes de alta pressão, como as campanhas políticas e grandes produções audiovisuais, em que prazos curtos e rotinas intensas muitas vezes abrem margem para abusos de poder.

Você sabe identificar o que é assédio moral no trabalho?

O assédio moral configura-se pela exposição repetida e prolongada de trabalhadores a situações humilhantes, constrangedoras ou desestabilizadoras durante a jornada de trabalho. A violência psicológica busca desqualificar o profissional, abalar sua autoimagem e, em muitos casos, forçar sua desistência do emprego.

Sinais frequentes de assédio:

* Humilhação e críticas públicas: Gritos, ofensas ou ridicularização sistemática perante colegas.

* Isolamento ou boicote: Deixar o trabalhador sem tarefas (ócio forçado) ou impor metas impossíveis de serem cumpridas.

* Sobrecarga direcionada: Atribuição sistemática de prazos irrealistas ou tarefas incompatíveis com a função.

* Punições injustificadas: Advertências constantes sem embasamento técnico ou legal.

O que fazer ao ser vítima ou testemunha de assédio?Casos de assédio não devem ser ignorados. Para garantir a defesa dos direitos trabalhistas e a proteção da saúde mental, especialistas orientam a adoção de medidas práticas:

* Junte evidências: Guarde mensagens (e-mails, WhatsApp, mensagens de texto), registros de áudio ou vídeo e relatórios de trabalho.

* Anote o histórico: Mantenha um registro com datas, horários, locais, nomes dos agressores e testemunhas presentes.

* Acione canais internos: Procure o departamento de Recursos Humanos, a Ouvidoria ou o setor de Compliance da empresa ou contratante.

* Busque ajuda médica: O acompanhamento psicológico ou médico é fundamental para atestar os impactos do abalo psicológico na saúde do trabalhador.

Onde denunciar em Salvador e na Bahia

Trabalhadores que vivenciarem ou testemunharem situações de assédio moral ou sexual podem recorrer a órgãos de fiscalização e proteção dos direitos trabalhistas:

  • Ministério Público do Trabalho (MPT-BA – 5ª Região): Site / Denúncia On-line: www.prt5.mpt.mp.br Telefone: (71) 3324-3630 (Atendimento e orientações)
  • Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA / Ouvidoria): Telefone / Disque MP: 127 (Capital) / 0800 071 1422 (Interior) Ouvidoria Geral: (71) 3103-0490 / E-mail: ouvidoria@mpba.mp.br
  • Sindicatos da Categoria: Entre em contato com o sindicato correspondente à sua classe profissional (ex.: Sindicato dos Trabalhadores na Indústria do Audiovisual, Sindicato dos Jornais/Jornalistas) para suporte e orientação jurídica presencial.

Foto Tumisu Pixabay

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