Mercado financeiro analisa resultado do IBC BR de julho

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O mercado financeiro de manifestou após divulgação do IBC BR. Segundo Pablo Spyer, conselheiro da ANCORD, o IBC-Br reforça a percepção de que a economia brasileira está perdendo velocidade. “A atividade recuou 0,22% em julho, um pouco pior do que o mercado esperava ( -0,20%), no segundo mês consecutivo de queda, e a retração de junho foi revisada de 0,64% para 0,88%. O resultado foi puxado principalmente pela agropecuária, que caiu 1,2%, e pela indústria, enquanto os serviços ficaram praticamente estáveis”, diz.

Ele argumenta que o indicador acumula alta de 1,5% no ano, “então estamos falando de uma perda de ritmo, e não de uma reversão completa do crescimento.Esse cenário ajuda a explicar o espaço para o Copom fazer hoje o quinto corte consecutivo de 0,25 ponto percentual, levando a Selic para 13,75% ao ano, como espera o mercado. O ponto mais importante, porém, será a sinalização para frente. Com a atividade mais fraca e a inflação dando sinais de desaceleração, existe espaço para continuar reduzindo os juros, mas as expectativas de inflação ainda acima da meta, o cenário fiscal e os riscos externos recomendam cautela. Por isso, o mercado vai prestar mais atenção ao comunicado do que ao corte em si: a grande questão é saber se 13,75% será uma pausa no ciclo ou apenas mais uma etapa da queda dos juros”.

Na visão de Felipe Rodrigo de Oliveira, economista-chefe da MAG Investimentos, o recuo do IBC -Br de julho, sinalizando o recuou 0,22% versus o mês anterior (com ajuste sazonal) e avanço 1,14% na comparação anual. “O resultado mensal ficou acima da nossa projeção (-0,5%) e em linha com a mediana de mercado (-0,2%). No confronto interanual, o dado ficou acima da nossa estimativa (0,6%) e em linha com a mediana de mercado (1,1%). A composição setorial do IBC-Br em julho apresentou dinâmicas distintas. A Agropecuária registrou uma retração de 1,15% na comparação mensal, atuando como principal vetor de detração sobre o índice cheio. A Indústria também apresentou variação negativa, com recuo de 0,40%. O setor de Serviços demonstrou estabilidade, com variação de -0,01%, e Impostos apresentaram retração de 0,16%.O dado de hoje reforça a nossa expectativa de desaceleração da economia brasileira no 3º trimestre, onde devemos observar um PIB com crescimento próximo da estabilidade no período”.

Para Yihao Lin, economista da Genial Investimentos, este resultado, na série com ajuste sazonal, mostra que o indicador dá continuidade ao recuo observado no mês passado e segue apontando para a perda de dinamismo da economia brasileira que deve continuar registrando arrefecimento no terceiro trimestre do ano, refletindo um cenário macroeconômico bastante adverso. “Apesar da nova contração no mês, cabe destacar que a série com ajuste sazonal do IBC-Br segue operando próximo do nível mais elevado já registrado em sua série histórica, sugerindo ainda uma certa resiliência da economia brasileira, corroborando a nossa expectativa de arrefecimento gradual da economia na passagem de 2025 para 2026. A nosso ver, o descasamento entre as políticas monetária e fiscal ao longo dos últimos anos tem sido responsável por limitar, ainda que parcialmente, os efeitos contracionistas do atual ciclo de aperto monetário, cujas consequências começam a aparecer de maneira mais intensa sobre os indicadores de crédito mais recentemente”.

Ele diz que a expectativa de arrefecimento gradual segue sendo corroborada pela média móvel trimestral que saiu de um recuo de 0,1% na leitura de junho para -0,3% em julho. “Embora a agropecuária tenha contribuído para o resultado negativo de julho, a continuidade do recuo do indicador que exclui o setor mostra que o enfraquecimento não se restringe às oscilações da produção agropecuária. A indústria voltou a cair, enquanto os serviços permaneceram praticamente estáveis, sem recuperar as perdas do mês anterior”.

Ele comenta ainda que o resultado reforça a expectativa de baixo crescimento no segundo semestre, sendo consistente com a nossa projeção de avanço de 0,1% t/t do PIB no terceiro trimestre. “Da mesma forma, seguimos avaliando que a leitura de hoje é consistente com a nossa expectativa de crescimento de 1,7% da economia em 2026.No que diz respeito à condução da política monetária, avaliamos que os dados de atividade de julho aliados à leitura ainda benigna da última divulgação do IPCA se mostram consistentes com a continuidade do ciclo de calibração da política monetária na reunião de hoje, jogando a favor da expectativa do BC de fechamento do hiato do produto”.

Perda de dinamismo

O especialista observa que a perda do dinamismo dos segmentos não agropecuários reforça nossa avaliação de moderação das pressões de demanda. “Contudo, avaliamos que o descasamento entre as políticas monetária e fiscal, em contexto marcado por uma expectativa do fenômeno El Niño mais intenso e incertezas sobre a evolução do conflito no Oriente Médio, impõem riscos para o atingimento da meta de inflação ao longo dos próximos meses, demandando ainda uma certa cautela na condução da política monetária”.

Contudo, sinaliza: “Mantemos a expectativa de redução de 25 bps da Selic na reunião de setembro, para 13,75% a.a., patamar que permanece como nossa projeção para o encerramento do ano. Para as reuniões seguintes, entendemos que a evolução da inflação e das expectativas continuará sendo determinante, de modo que o enfraquecimento da atividade amplia o espaço para discutir cortes adicionais, mas não torna sua continuidade automática, sendo essa dependente também do resultado do ciclo eleitoral. Cabe destacar que nosso cenário-base é que esse seja o último corte, de modo que, a taxa Selic deve encerrar o ano nesse patamar. Porém, dada a nossa expectativa de que os dados de inflação sigam benignos nas próximas leituras, entendemos que há um risco considerável de que a Selic seja afrouxada novamente na reunião de novembro”.

foto Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

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