Especialistas do mercado financeiro de manifestaram após anúncio do IPCA de agosto. Para Pablo Spyer, conselheiro da ANCORD, o IPCA de agosto veio melhor que o esperado, com deflação de 0,32%, contra uma expectativa de queda de 0,28%, e levou a inflação acumulada em 12 meses para 4,22%. “É um número muito positivo, mas é importante olhar a composição: boa parte desse alívio veio de fatores pontuais, principalmente o bônus de Itaipu, que derrubou a conta de luz e sozinho teve impacto de -0,33 ponto percentual no índice”, diz.
Ele também observa que, os núcleos desaceleraram, o que é uma notícia favorável para o Banco Central. Então, “o dado ajuda o cenário de inflação e pode reforçar a expectativa de queda dos juros, mas ainda não dá para dizer que a batalha contra a inflação está ganha. Serviços e inflação subjacente continuam no radar, e o petróleo acima de US$ 100 adiciona um risco importante para os próximos meses. É uma fotografia muito boa de agosto, mas o mercado vai querer saber se esse alívio vai continuar.”
Na visão de Roberto Luis Troster, coordenador do Cefeb/Fipe ( CEFEB – Centro de Estudos Fipe do Endividamento das Empresas Brasileiras),o IPCA de agosto registrou deflação de 0,32%, aquém do projetado pelo mercado e a taxa acumulada em 12 meses recuou para 4,22%, dentro do intervalo de tolerância da meta.
“Mostra um arrefecimento da pressão inflacionária. Pode-se esperar uma queda nos futuros mais curtos de juros e aumenta a pressão um pouco, não muito, para que o COPOM continue baixando os juros, já que a inflação de 12 meses está no intervalo de tolerância. Parte do alivio é pontual, por conta do bônus de Itaipu na luz. Serviços ainda pressionam um pouco, não muito. O número veio melhor do que o esperado”.
Felipe Rodrigo de Oliveira, economista-chefe da MAG Investimentos entende que, com este resultado, a taxa acumulada em 12 meses cedeu de 4,52% para 4,22%. “Destaque para as quedas nos grupos Habitação (-1,87%), dada a queda de 7,63% de energia elétrica, derivada do pagamento do bônus de Itaipu, Transportes (-0,86%.), influenciado pela forte deflação em Passagens Aéreas (-13,17%) e Alimentação e Bebidas (-0,34%). Sob a ótica analítica, os Serviços desaceleraram para 0,03% (vs. 0,54% em julho), beneficiados pela queda das passagens aéreas. Por outro lado, os Serviços Subjacentes rodaram a 0,40% (vs. 0,42% em julho), em linha com a projeção (0,39%). A Média dos Núcleos recuou ligeiramente para 0,23% (vs. 0,26% em julho), enquanto o Índice de Difusão Geral subiu para 54,4% (vs. 49,6% anterior) e a Difusão de Serviços avançou para 59,5% (vs. 56,8% no mês anterior)”.
Gabriel Pestana, economista da Genial Investimentos, “Apesar de algumas surpresas altistas espalhadas entre os grupos, a magnitude foi modesta, enquanto os cinco núcleos acompanhados pelo Banco Central surpreenderam para baixo. Na abertura, alimentação no domicílio continuou em terreno desinflacionário, mas com perda de intensidade e composição um pouco pior que a esperada, especialmente por conta da carne bovina. Já serviços, que vieram em linha com a projeção, ainda apresentam uma composição pressionada, com métricas trimestrais anualizadas se sustendo próximas de 5,0%”.
Para Mariana Rodrigues, economista da SulAmérica Investimentos, a alimentação no domicílio seguiu apresentando deflação, porém menos intensa, especialmente em função da dinâmica dos itens in natura. “No segmento de bens industriais, apesar da pressão do reajuste de cigarros, que veio acima das nossas expectativas, os grupos de higiene pessoal e automóveis contribuíram para uma variação mais moderada, compensando parcialmente essa pressão. Já os serviços subjacentes também apresentaram uma dinâmica mais benigna, contribuindo para a melhora qualitativa do resultado. Para o restante do ano, o cenário inflacionário é mais complexo diante do panorama envolvendo o evento climático do El Niño e do patamar do preço do petróleo, com potencial impacto altista para bens industriais”.
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