Episódios envolvendo ACM Neto e outras figuras políticas reacendem debate sobre ataques a mulheres

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Episódios recentes envolvendo o candidato ACM Neto (União Brasil) e declarações de outras figuras políticas voltaram a provocar discussões sobre a exposição do corpo feminino, o tratamento dispensado a mulheres e os limites do debate político.

Durante uma carreata de ACM Neto no bairro de São Cristóvão, em Salvador, duas mulheres seminuas, com os corpos pintados de azul, foram colocadas sobre um carro de som. A cena repercutiu nas redes sociais e gerou críticas relacionadas à utilização da imagem feminina em eventos de campanha.

Dias depois, durante uma sabatina da TV Aratu, ACM Neto foi questionado pela jornalista Basília Rodrigues, do SBT News, sobre assuntos como o Banco Master, a Operação Overclean e sua gestão à frente da Prefeitura de Salvador. Durante a entrevista, o candidato afirmou que a jornalista demonstrava “desconhecimento sobre Salvador”. Após a entrevista, perfis de apoiadores de ACM Neto fizeram críticas à jornalista nas redes sociais, incluindo comentários relacionados à sua aparência.

Os episódios ganharam repercussão em meio a um histórico de declarações de diferentes políticos brasileiros que já foram criticadas ou judicializadas por envolverem mulheres.

Em 2014, o então deputado Jair Bolsonaro afirmou, durante discussão com a deputada Maria do Rosário (PT-RS), que não a estupraria porque ela “não merece”. A declaração resultou em uma ação judicial e, posteriormente, em condenação ao pagamento de indenização por danos morais, decisão mantida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Em 2020, Bolsonaro também foi alvo de críticas por uma declaração sobre a jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha de S.Paulo. Ao comentar reportagens da jornalista sobre o disparo de mensagens políticas pelo WhatsApp durante a eleição de 2018, utilizou uma expressão de conotação sexual para se referir ao trabalho dela. O episódio gerou repercussão e ações judiciais.Outro caso ocorreu em 2022, envolvendo o então deputado estadual Arthur do Val, conhecido como Mamãe Falei. Durante uma viagem à Ucrânia, ele enviou áudios nos quais fez comentários de teor sexual sobre mulheres refugiadas. Após a divulgação das gravações e a confirmação de sua autoria, o político desistiu da pré-candidatura ao governo de São Paulo.

Também há registros envolvendo o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). O parlamentar foi condenado por declarações consideradas transfóbicas contra a deputada Duda Salabert. Em 2025, o Superior Tribunal de Justiça manteve uma indenização de R$ 30 mil relacionada ao caso. Em 2023, Nikolas também havia provocado repercussão ao utilizar uma peruca durante discurso na Câmara dos Deputados no Dia Internacional da Mulher, em uma manifestação que teve como alvo mulheres trans.

Os casos são distintos entre si e ocorreram em diferentes circunstâncias, mas passaram a integrar o debate público sobre comportamento de agentes políticos, respeito às mulheres, liberdade de expressão e responsabilidade no discurso político.

foto reprodução TV

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