O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026, acima da expectativa de 0,4% do mercado. Apesar do resultado positivo, economistas avaliam que a composição do crescimento revela sinais de perda de ritmo da economia, principalmente diante da retração do consumo das famílias.
O agronegócio foi um dos principais destaques, com avanço de 2,8%, enquanto os investimentos cresceram 1,2%. Já o consumo das famílias recuou 0,4% em relação ao primeiro trimestre.
Para Pablo Spyer, conselheiro da ANCORD, o resultado veio ligeiramente melhor que o esperado, mas reforça a percepção de desaceleração. Segundo ele, os juros elevados começam a pesar sobre a demanda. “A economia ainda cresce, mas está claramente pisando no freio”, afirma.
Na avaliação de Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, o PIB avançou 2% na comparação anual, ligeiramente acima das projeções. Ela, porém, chama atenção para o comportamento do consumo, que apresentou uma moderação mais intensa do que a esperada.
Yihao Lin, economista da Genial Investimentos, também vê um cenário menos favorável na composição do resultado. Para ele, a retração do consumo, mesmo com o mercado de trabalho ainda robusto, indica que os efeitos dos juros elevados, do comprometimento da renda e das condições restritivas de crédito começam a ganhar força.
Lin avalia que o resultado cria um viés de baixa para as projeções de crescimento dos próximos trimestres, embora mantenha a estimativa de expansão de 1,9% para o PIB em 2026. Para setembro, a expectativa da Genial é de corte de 0,25 ponto percentual na Selic, para 13,75% ao ano.
O consenso entre os especialistas é que o PIB ainda mostra uma economia em expansão, mas com sinais mais claros de desaceleração. Os próximos dados de inflação e atividade deverão ser determinantes para os rumos da política monetária e para o comportamento dos mercados.
Foto: PublicDomainPictures/Pixabay
