A candidata a deputada federal, atriz e ex-presidenta da Funarte Maria Marighella (PT) criticou as dificuldades enfrentadas por mães que dependem dos serviços públicos de Salvador após novos dados revelarem problemas em duas áreas essenciais para as famílias da capital: o acesso à educação infantil e à saúde mental. Mais de 6 mil crianças aguardam vaga em creches e escolas da rede municipal, enquanto o Ministério Público da Bahia (MP-BA) acompanha o fornecimento de medicamentos psicotrópicos em unidades de saúde da cidade em meio a denúncias de desabastecimento.
“Que sociedade, que cidade é essa que nós criamos, em que é tão difícil ser mãe? Que prioridades são essas? Se temos uma dificuldade crônica de acesso a creches para a primeira infância, se a Prefeitura não valoriza seus professores, se nem mesmo a rede de saúde mental consegue manter todas as medicações básicas em dia, como estamos dando apoio às mães?”, questionou Maria.
Dados do Sistema de Matrículas da Secretaria Municipal da Educação, atualizados até 12 de agosto, apontam 6.096 crianças aguardando vagas em creches e escolas de educação infantil da rede municipal. Deste total, 4.502 ainda não têm sequer uma unidade de referência definida.
Falta de medicamentos
Na saúde, o MP-BA instaurou um procedimento administrativo para acompanhar a dispensação de medicamentos psicotrópicos nas unidades de saúde mental de Salvador. A medida ocorre em meio a denúncias de falta de medicamentos em diferentes pontos da rede, entre eles o CAPS do Rio Vermelho, o Pronto Atendimento Psiquiátrico e os Multicentros da Liberdade e Carlos Gomes.
Para Maria, discutir saúde mental materna exige olhar não apenas para o atendimento médico, mas para as condições concretas oferecidas às mulheres para exercer a maternidade. Ex-vereadora de Salvador, ela é autora da lei que instituiu no calendário oficial do município o Maio Furta-Cor, campanha dedicada à conscientização e à promoção da saúde mental materna.
“A diferença é brutal. Se você tem uma creche no seu bairro, se tem professores valorizados, que não precisam passar dois meses em greve para reivindicar direitos, e se a saúde mental das mães e das mulheres é tratada como prioridade, fica muito mais fácil ser mulher, fica melhor ser mãe. Mas a realidade hoje é que nós, mães, muitas vezes temos que pagar do próprio bolso e carregar muito desse peso sozinhas”, afirmou.
Acesso a políticas públicas
A saúde mental materna é uma pauta que ultrapassa o período da gestação e do pós-parto e está relacionada também às condições em que a maternidade é exercida, como a existência de rede de apoio, divisão da carga de cuidado e acesso a políticas públicas.
“Uma cidade que prioriza as mães e suas crianças, que tem praças, creches, escolas, quadras, postos de saúde bem abastecidos e oferece cultura nas escolas e nos bairros é uma boa cidade para morar e uma boa cidade para ser mãe. Precisamos de governos com prioridades alinhadas à vida real das pessoas. Cuidar das mães não pode significar apenas dizer que elas precisam se cuidar. A cidade precisa fazer a parte dela”, concluiu Maria Marighella.
Foto: Assessoria Maria Marighella
