O Dia dos Pais deve movimentar R$ 29,7 bilhões no comércio e serviços. É o que aponta levantamento realizado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offerwise Pesquisas. De acordo com a pesquisa, 63% dos consumidores pretendem comprar presentes no Dia dos Pais este ano. Na prática, isso significa que aproximadamente 104 milhões de pessoas residentes nas capitais devem ir às compras nas próximas semanas, uma redução nominal de 2,3 milhões de compradores em relação a 2025.
De acordo com os entrevistados, 36% pretendem gastar mais que em 2025, 34% o mesmo valor e 17% querem gastar menos. Entre aqueles que pretendem gastar mais, o desejo de dar um presente melhor lidera (61%), mas a percepção de alta de preços também é uma justificativa relevante (38%). Entre os que vão desembolsar menos, os principais motivos são orçamento apertado (40%), contenção de gastos (39%) e o pagamento de dívidas (18%).
A pesquisa aponta que o valor médio dos gastos será em torno de R$ 286 ao todo. Os consumidores pretendem comprar, em média, 1,8 presentes.
“A leve retração no número de compradores para este Dia dos Pais é o reflexo mais claro de um consumidor que está operando no limite do seu orçamento. Embora a intenção de presentear continue alta, a realidade de atrasos no pagamento de contas e o fantasma da inadimplência forçaram uma parcela significativa das famílias a dar um passo atrás. O momento exige cautela: para muitos, a dificuldade de manter as despesas básicas do dia a dia em ordem tornou inviável a entrada nessa jornada de compras para presentear”, destaca o presidente da CNDL, José César da Costa.
Itens de vestuário e cosméticos lideram o ranking de presentes para o Dia dos Pais. 46% consideram presentear com um item de segunda mão e 81% pretendem pagar à vista
Os consumidores estão atentos aos preços e a maioria (77%) pretende pesquisar para economizar antes de fazer as compras do Dia dos Pais. Desses, 64% iniciam a pesquisa com ao menos duas semanas de antecedência — 15 dias (35%), 1 semana antes (25%) e na véspera (4%).
A pesquisa online domina com 83%, mas o canal físico segue presente: 67% ainda visitam lojas para comparar valores. Nos canais digitais, sites e aplicativos lideram (73%), seguidos a distância pelas redes sociais (38%). Na pesquisa física, shopping e lojas de rua empatam, ambas com 39%.
Em relação aos sites e aplicativos de pesquisa, as plataformas de compra e venda de produtos novos e usados lideram a pesquisa de preços com 63%, seguido de sites de lojas de departamento (52%) e sites de busca (50%).
Assim como no ano passado, roupas, calçados e acessórios mantêm a liderança com 62% das intenções de compra. cosméticos e perfumes vêm em segundo (27%), seguidos por ferramentas (18%), eletrônicos (16%) e artigos esportivos (16%). Dinheiro ou PIX aparece com 10%.
A maioria dos entrevistados (60%) acredita que o pai prefere manter o simbolismo de receber o presente físico. Os 40% restantes percebem que o pai preferiria substituir o presente por uma ajuda financeira direta — em dinheiro ou PIX para uso livre (17%), para quitar boletos em atraso (8%) ou para pagar contas básicas (8%).
O mercado de usados divide o consumidor, 46% considerariam presentear com um item de segunda mão em perfeito estado, enquanto 46% recusam. Entre os favoráveis, os motivadores são acesso a marcas melhores por preço menor (11%), exclusividade ou item vintage (10%) e consumo consciente (9%). A recusa apoia-se na crença de que presente precisa ser novo (28%) e no receio quanto à qualidade do usado (18%).
A grande maioria dos consumidores (81%) pretende pagar o presente à vista, principalmente no PIX (52%), e no cartão de débito (17%). Por outro lado, 41% têm intenção de pagar parcelado, com destaque para o cartão de crédito (30%). Em média, serão feitas 3,4 prestações.
O levantamento aponta ainda que 73% pretendem pagar o(s) presente(s) sozinhos, enquanto 22% desejam dividir. Nesse grupo, 12% irá pagar parte do(s) presente(s) sozinho e outra parte irá dividir o valor com outra(s) pessoa(s) e 10% irá dividir todo o valor do presente com outra(s) pessoa(s). O movimento pode refletir tanto pressão orçamentária quanto uma estratégia de compra coletiva para presentes de maior valor.
Entre os que dividirão o custo do presente, a divisão será feita com o cônjuge (38%), irmãos (32%), mãe (18%), outros familiares (16%) e filhos (15%). Entre as razões de dividir os gastos, 32% querem dar um presente melhor e mais caro, enquanto 27% buscam reduzir os gastos. A alta de preços surge como terceiro motivador, com 19%.
Entre os entrevistados, 62% querem presentear o próprio pai, na sequência aparecem o esposo (21%), o sogro (13%) e o pai dos filhos (13%). A comemoração segue essencialmente doméstica: 35% celebrarão em casa e 35% na casa do pai.
Lojas físicas serão os principais locais de compras
A maioria dos entrevistados (72%) pretende realizar suas compras nos canais físicos, principalmente em shoppings centers (27%), lojas de departamento (17%), lojas de rua (16%) e shopping popular (16%)
Mas 47% pretendem comprar pela internet, sobretudo aplicativos (71%), sites (57%) e Instagram (23%).
Entre aqueles que farão as compras em sites e lojas online, 58% utilizarão os sites varejistas internacionais, seguido de varejistas nacionais (40%) e plataformas de compra e venda de produtos novos ou usados (37%).
A pesquisa mostra o social commerce em expansão: 40% dos compradores já realizaram uma compra por link direto no Instagram, WhatsApp ou TikTok. Desses, 34% acharam a experiência prática e apenas 6% tiveram problemas. A cada ciclo, mais consumidores experimentam — e a maioria que experimenta aprova.
Em relação aos meios de comunicação que influenciam as compras, as vitrines e exposições de produtos (32%) lideram, seguido por anúncios no Instagram (31%) e buscadores (30%). A indicação de amigos e familiares mantém seu peso com 29%. O TikTok é o grande salto de influência (24%), com o maior crescimento entre todos os meios avaliados.
Já os fatores de escolha do ponto de venda, os consumidores destacam o preço, promoções e descontos (49%), seguidos pela qualidade dos produtos (45%) e frete grátis (35%). Rapidez na entrega (26%) e facilidade de pagamento (25%) completam os cinco critérios mais decisivos.
37% dos que pretendem presentear estão atualmente com pagamento de contas em atraso, e 73% desse grupo estão com o nome sujo
A maior parte dos compradores recorre ao salário ou renda mensal para bancar o presente: 62% utilizam os próprios rendimentos regulares. Uma parcela relevante, porém, opera com maior incerteza: 19% ainda não sabem de onde virá o dinheiro, mas garantem que darão um jeito. Outros 13% planejam usar recursos reservados para outra finalidade — redirecionando parte do orçamento doméstico para a data. Apenas 4% recorrerão a empréstimo ou crédito rotativo.
Chama atenção que 14% dos compradores pretendem deixar de pagar alguma conta para viabilizar a compra do presente. Trata-se de uma decisão deliberada de priorizar o presente sobre compromissos financeiros já assumidos — o afeto pela data sobrepõe-se, para esse grupo, à disciplina orçamentária.
O Dia dos Pais alcança consumidores em situação financeira fragilizada o que amplifica o risco de aprofundamento do endividamento durante a data: 37% dos que pretendem presentear já estão com contas em atraso. Desse grupo de inadimplentes, 73% também estão com o nome negativado.
O levantamento mostra que 30% reconhecem gastar além de suas possibilidades com o presente do pai. O afeto é o principal motor: 31% sentem que o pai merece e fazem questão de agradá-lo, mesmo que isso implique dívidas. O desejo de causar impacto e impressionar aparece em segundo lugar com 23%, seguido pela percepção de que o valor do presente funciona como prova de amor (22%).
Para a data não passar em branco, se o orçamento aperta, 57% adotam estratégias para viabilizar o presente como, adiar compras pessoais como roupas ou eletrônicos (24%), cortar gastos supérfluos como saídas e delivery (21%) e parcelar mesmo sabendo que isso apertará o orçamento nos meses seguintes (20%) maioria dos compradores resiste ao apelo das redes sociais: 66% afirmam que postagens de presentes não pautam seu consumo. No entanto, 34% admitem algum grau de influência: 20% com pressão moderada, gastando mais para garantir um presente “postável”, e 14% com pressão total, sentindo necessidade de ostentar marcas ou presentes visualmente impactantes.
“O grande alerta deste ano fica por conta da parcela de consumidores que, mesmo enfrentando dificuldades para manter as contas em dia ou já lidando com a inadimplência, opta por priorizar o presente em detrimento de seus compromissos básicos. Essa escolha deliberada de colocar o coração à frente do bolso mostra a força cultural da data, mas também acende um sinal amarelo para o risco de superendividamento das famílias em um momento econômico ainda delicado”, alerta a especialista em finanças da CNDL, Merula Borges.
Foto Fernando Frazão/Agência Brasil
