As transformações provocadas pelos conflitos internacionais e seus reflexos sobre a economia global estiveram no centro dos debates da 8ª Reunião da Diretoria Plenária da Associação Comercial da Bahia (ACB), realizada nesta terça-feira (29). Empresários, juristas e autoridades acompanharam a palestra do professor Vinicius Mariano de Carvalho, pesquisador do Department of War Studies do King’s College London, uma das principais referências mundiais em estudos de defesa e segurança.
Na abertura do encontro, a presidente da ACB, Isabela Suarez, destacou que compreender as mudanças do cenário internacional tornou-se essencial para o ambiente de negócios. Segundo ela, discutir temas como geopolítica, inovação, segurança econômica e comércio internacional reforça o papel da Associação Comercial como espaço de reflexão sobre assuntos estratégicos para o desenvolvimento da Bahia.
Ao analisar os conflitos contemporâneos, Vinicius Mariano defendeu que as disputas entre as grandes potências deixaram de se restringir ao campo militar e passaram a ter na economia um de seus principais instrumentos de influência. Para o pesquisador, sanções econômicas, controle de cadeias produtivas, domínio tecnológico e acesso a recursos estratégicos já afetam diretamente empresas e governos, mesmo em países distantes dos principais focos de tensão. “O mundo está vivendo uma consciência de guerra. Muitas vezes, no Brasil, essa percepção parece distante, mas os impactos econômicos já chegaram até nós”, afirmou.
O professor destacou que a crescente dependência de cadeias globais de suprimentos tornou insumos como fertilizantes, semicondutores e terras raras ativos estratégicos para a economia mundial. Segundo ele, a disputa por esses recursos influencia desde a produção industrial até o avanço da inteligência artificial e evidencia que desenvolvimento econômico depende não apenas da disponibilidade de riquezas naturais, mas também de investimentos em educação, pesquisa e inovação.Outro aspecto ressaltado foi a vulnerabilidade do comércio internacional diante de conflitos em rotas marítimas estratégicas, responsáveis pela maior parte da circulação de mercadorias no mundo.
Na avaliação do pesquisador, esse cenário exige que países ampliem o conceito de soberania, fortalecendo sua capacidade tecnológica, digital e econômica para enfrentar períodos de instabilidade.Antes da palestra, a ACB e a Academia de Letras Jurídicas da Bahia assinaram um termo de cooperação institucional voltado à realização de eventos e debates conjuntos. Para o presidente da Academia, Ricardo Maurício Freire Soares, a parceria permitirá aproximar o meio jurídico do setor produtivo e ampliar a discussão de temas como arbitragem, meios adequados de solução de conflitos, função social da empresa e proteção ao consumidor.
Foto: Júlia Mariani
