Indústria de máquinas e equipamentos segue em queda em 2026

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A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos – ABIMAQ , apresentou os dados de maio de 2026 sobre o desempenho da indústria de máquinas e equipamentos e apontou que o setor continua operando em um ambiente de forte fragilidade. Embora tenha havido aumento no consumo de máquinas e equipamentos em relação a abril, o desempenho do setor permanece significativamente inferior ao observado há um ano. O consumo aparente atingiu R$ 31,1 bilhões no mês, recuperando parte da queda anterior, mas ainda 19,5% abaixo do registrado em maio de 2025. Com isso, os investimentos em máquinas e equipamentos acumulam retração de 15% ao longo dos cinco primeiros meses do ano.

O resultado reforça a percepção de que a desaceleração deixou de ser um fenômeno pontual e passou a refletir um ambiente econômico mais adverso para a tomada de decisões de investimento. O aspecto mais preocupante é que, mesmo após vários meses de queda, ainda não surgem sinais de retomada consistente da demanda. Investimento produtivo continua enfraquecido A receita líquida de vendas somou R$ 22,5 bilhões em maio, registrando queda de 1,2% frente a abril e retração de 20,4% na comparação com o mesmo mês de 2025. No acumulado do ano, a queda chega a 13,9%, enquanto nos últimos doze meses o recuo já alcança 4,6%.

Esses números sugerem que o setor atravessa uma fase mais prolongada de ajuste. Diferentemente do que se observou em ciclos anteriores, a desaceleração não está concentrada em um único segmento ou associada a um choque específico. Ela reflete um enfraquecimento mais amplo dos investimentos produtivos, consequência da combinação entre juros elevados, menor crescimento econômico e aumento da cautela empresarial.

A continuidade das dificuldades nos setores agrícola e da indústria de transformação merece atenção especial. Historicamente, esses segmentos respondem por parcela significativa da demanda por bens de capital. O fato de continuarem apresentando retração sugere que a recuperação do setor pode ser mais lenta do que inicialmente esperado. Além disso, os dados de receita doméstica mostram que a política monetária restritiva continua produzindo efeitos negativos relevantes. A queda de 17,9% nas vendas internas no acumulado do ano indica que o custo elevado do crédito segue limitando tanto a renovação do parque produtivo quanto a expansão da capacidade instalada das empresas.


Exportações sustentam parte da atividade, mas continuam insuficientes para compensar o mercado interno


O desempenho das exportações permanece como um dos poucos vetores positivos para o setor em 2026. No acumulado de janeiro a maio, as vendas externas cresceram 14,7% em dólares e 12,1% em volume, evidenciando que a indústria brasileira ainda encontra espaço em mercados internacionais. Entretanto, uma análise mais detalhada mostra que esse desempenho deve ser interpretado com cautela. Parte relevante da expansão decorre da base de comparação deprimida observada no início de 2025, quando a desaceleração da atividade industrial norte-americana afetou significativamente a demanda por máquinas brasileiras.

Além disso, após a forte expansão observada em abril, as exportações recuaram quase 30% em maio na comparação mensal, retornando para um patamar próximo de US$ 1 bilhão. Essa volatilidade foi resultado de embarques de projetos de grande porte. Outro fator limitante é o câmbio. A valorização próxima de 11% do real reduziu significativamente o impacto positivo das exportações sobre a receita medida em moeda nacional. Assim, embora o desempenho externo contribua para amortecer a desaceleração da atividade produtiva, ele não tem sido suficiente para
alterar a tendência geral de enfraquecimento da receita do setor.

Importações desaceleram, mas reforçam perda de espaço da produção nacional


Um dos aspectos mais relevantes dos dados de 2026 continua sendo a evolução das importações. Apesar da desaceleração da economia doméstica, as compras externas seguem ampliando sua participação no mercado brasileiro. No acumulado de janeiro a maio, as importações recuaram 11% (Valores em Reais), enquanto a demanda doméstica retraiu 17,9%. Como resultado, os equipamentos importados passaram a representar 48,1% do
consumo nacional, participação superior à observada em 2025. Mais uma vez, a China desempenha papel central nessa dinâmica. As importações provenientes do país cresceram, enquanto as originadas dos demais mercados recuaram. O avanço ocorre justamente em segmentos estratégicos para a indústria brasileira, como logística, construção civil, agricultura e indústria de transformação.

Isso indica que a perda de competitividade da produção nacional vai além das condições conjunturais e está cada vez mais associada a fatores estruturais relacionados a custos, escala, financiamento e produtividade. Capacidade instalada, pedidos e emprego apontam continuidade da fraqueza
Os indicadores antecedentes também permanecem pouco favoráveis. O nível de utilização da capacidade instalada caiu para 78,3% em maio, ficando abaixo do registrado no mesmo mês do ano anterior. Embora a redução seja relativamente pequena, ela interrompe a estabilização observada nos meses anteriores.

Mais preocupante é a evolução da carteira de pedidos. O indicador recuou para 8,2 semanas, ficando 10,6% abaixo do nível observado em maio de 2025. No acumulado do ano, a carteira permanece 6,1% inferior à do mesmo período do ano passado. Esse comportamento sugere que a fraqueza das receitas deverá persistir ao longo dos próximos meses, uma vez que o fluxo de novos contratos continua insuficiente para sustentar uma recuperação mais robusta da produção.

No mercado de trabalho houve leve melhora, com a criação de cerca de 350 vagas em maio. No entanto, o avanço é modesto e insuficiente para alterar a tendência predominante de estabilidade com viés negativo observada desde o segundo semestre de 2025.

Foto marcin049/Pixabay

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