Brasil e Interpol avançam em coalizão regional contra o crime organizado na América do Sul

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O Brasil e a Interpol avançaram na articulação para a criação de uma coalizão de combate ao crime organizado transnacional na América do Sul em uma reunião realizada em Évian-les-Bains, na França, nesta quarta-feira, 17 de junho. Durante entrevista coletiva realizada após o encerramento da Cúpula do G7, o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, destacou que os países sul-americanos integrarão uma aliança para o combate integrado ao tráfico de drogas e de armas, crimes ambientais e às finanças das organizações criminosas.


“Utilizando o escritório da Interpol para a América do Sul, na cidade de Buenos Aires, com tecnologia, bases de dados, equipes especializadas e um projeto do Ministério da Justiça coordenado pela Polícia Federal, vamos reunir os 12 países sul-americanos em um grande esforço conjunto para o enfrentamento ao tráfico de drogas e de armas, aos crimes ambientais e a todos os demais delitos que possam ser investigados de forma integrada nesse esforço coletivo”, afirmou Rodrigues.

Realizada à margem da Cúpula do G7, a reunião contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e deu prosseguimento ao Acordo de Cooperação Técnica firmado entre o Ministério da Justiça e Segurança Pública e a Interpol (Organização Internacional de Polícia Criminal) firmado em fevereiro. A base principal do programa será o Escritório Regional da Interpol, sediado em Buenos Aires. O Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, em Manaus, funcionará como um polo complementar de atividades, com foco específico na segurança da região amazônica.

O secretário-geral da Interpol, Valdecy Urquiza, afirmou que a reunião técnica abordou principalmente os trabalhos desenvolvidos pela Interpol em âmbito global, com foco especial nas ações concretas a serem implementadas na América do Sul para combater o crime organizado, sobretudo o de caráter transnacional. “Estamos desenvolvendo uma iniciativa, uma coalizão com a participação dos países da América do Sul, com o objetivo de gerar informações de inteligência que sirvam de apoio às atividades investigativas e de repressão ao crime organizado na região”, afirmou.

RECUPERAÇÃO DE ATIVOS — Durante a reunião, também foi discutida uma novidade da Interpol: a implementação da chamada Difusão Prateada, mecanismo voltado à localização e recuperação de ativos ligados ao crime organizado. A iniciativa está sendo lançada em um programa piloto que envolve 52 países e territórios, com duração prevista até, pelo menos, novembro de 2025.

“No ano passado, retiramos mais de R$ 10 bilhões do crime organizado. Com esta nova iniciativa e esta parceria será possível ampliar essa capacidade operacional e alcançar patrimônios ocultos em diferentes países”, disse Rodrigues.

SISTEMA FINANCEIRO — Na reunião, também foi abordado o enfrentamento ao crime no âmbito do sistema financeiro. Segundo o diretor-geral da PF, estão em andamento tratativas com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e outras instituições financeiras do país para reforçar os mecanismos de segurança e confiabilidade do setor. Rodrigues disse que a medida acrescenta uma camada extra de verificação de confiabilidade ao sistema, permitindo que as instituições financeiras consultem as bases de dados da Polícia Federal.

“Também queremos avançar para o acesso às bases de dados da Interpol, a fim de ampliar ainda mais a confiabilidade do nosso sistema financeiro e dos mecanismos de controle e de conhecimento do cliente, com o apoio do Ministério da Justiça, da Polícia Federal e da Interpol”, afirmou.

Durante a agenda internacional, Rodrigues também se reuniu com autoridades suíças para discutir a instalação de uma adidância da Polícia Federal no país. A proposta foi bem recebida e poderá ampliar a cooperação bilateral e o intercâmbio de informações com parceiros europeus, disse o diretor-geral.

ECA DIGITAL — Em relação à segurança digital, Rodrigues destacou a determinação na atuação da proteção de crianças e adolescentes. “No Brasil, graças ao ECA digital e à determinação do presidente e às capacidades ampliadas da Polícia Federal, já lançamos um grande centro de segurança cibernética, uma que nós estamos chamando da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado Cyber, a Cyberfico”, disse. “Vamos poder receber todos os dados e ali fazer o tratamento e a difusão para o enfrentamento a essa modalidade delitiva”.

Durante almoço de trabalho da Cúpula do G7, o presidente Lula defendeu que a regulação do ambiente digital é condição necessária para proteger direitos, combater crimes online e garantir que os avanços tecnológicos contribuam para o desenvolvimento social.

“Regular o ambiente digital é central para proteger direitos fundamentais”, disse o presidente. Segundo Lula, embora os benefícios da IA sejam evidentes para a produtividade, os serviços públicos, a medicina e a segurança alimentar e energética, também é preciso enfrentar os riscos associados ao uso indevido dessas tecnologias.

FRAUDES — Urquiza destacou que também foi debatida a estratégia para o enfrentamento dos centros de fraude que têm sido instalados em várias regiões do globo e que têm atacado as comunidades no Brasil e no mundo. “São centros estabelecidos em várias partes do mundo com o objetivo de realizar a prática de atividades fraudulentas e criminosas.”

“Discutimos aqui como, em conjunto com a Polícia Federal, a Interpol vai atuar na identificação dessas organizações que atuam nesse tipo de delito e também no resgate de eventuais vítimas que são forçadas a trabalhar, em um esquema de tráfico de pessoas, nesses centros”, disse o secretário-geral.

Informações Governo Federal

Foto: Ricardo Stuckert / PR

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