Com R$ 293 milhões contratados para evitar alagamentos, Salvador amanhece debaixo d’água e a Prefeitura deve explicações, cobra deputado

Você está visualizando atualmente Com R$ 293 milhões contratados para evitar alagamentos, Salvador amanhece debaixo d’água e a Prefeitura deve explicações, cobra deputado

O INEMA mantém alerta de chuva para os próximos dias e a Codesal já contabiliza 136 ocorrências nas últimas 72 horas, de ameaças de desabamento a imóveis alagados e infiltrações. A cena se repete todo ano, no mesmo período e nos mesmos pontos. “E se repete apesar de a Prefeitura de Salvador manter, desde dezembro de 2025, R$ 293 milhões em contratos de manutenção preventiva urbana cuja função é exatamente impedir o que se viu hoje”, diz o deputado estadual Robinson Almeida (PT).

Segundo o parlamentar, são quatro contratos firmados com as mesmas empresas dos amigos para serviços que deveriam ocorrer ao longo de todo o ano: limpar galerias, desobstruir canais, dragar bacias, reparar pavimentos, manter a drenagem em condições de suportar o período de chuvas mais intenso.

“Diante da cidade alagada, as perguntas que a Prefeitura precisa responder são objetivas. O que foi efetivamente executado desses R$ 293 milhões? Quais galerias foram limpas, quais canais desobstruídos, quantas bacias dragadas, e em quais prazos? Quanto já foi medido e pago a cada empresa?”. Para Robinson, enquanto as respostas não vêm, o que se tem é dinheiro público comprometido e uma cidade que não resiste à primeira chuva forte da estação.

O transtorno desta manhã, de acordo com o deputado, tem um responsável, e não é a chuva: é a Prefeitura de Salvador. “Foi ela que assinou os R$ 293 milhões e é ela que tem o dever de fiscalizar a execução, cobrar prazo e medir a entrega antes de pagar. Se as empresas prestaram serviço insuficiente, cobrá-las é obrigação da prefeitura, não atenuante: contratar é metade do trabalho, fiscalizar é a outra metade, e essa não se terceiriza. A chuva chega na mesma época há décadas. A gestão é que não chegou”.

Cajazeiras, Pau da Lima, Cabula, Boca do Rio, Itapuã, Subúrbio: os bairros que alagam todo ano são conhecidos, e não por acaso estão entre os mais pobres da cidade. Mas junho deste ano não poupou nem o resto de Salvador. Os maiores volumes de chuva das últimas 72 horas caíram em áreas centrais e nobres: 99 mm em Brotas, 98,2 mm em Barris, 93 mm na Barra, 90,3 mm na Federação e 85 mm em Ondina. Embora os pontos críticos e os canais que transbordam sejam conhecidos há anos, a água passou das áreas de risco e atingiu a cidade de ponta a ponta, o que escancara o colapso de um serviço que deveria proteger todos.

“Preparar Salvador para as chuvas não é gestão de crise. É o mínimo que se espera de quem administra R$ 293 milhões em manutenção preventiva”, afirma Robinson Almeida.

foto Divulgação Robson Almeida

Compartilhe:

Deixe um comentário