Produção sobe quase 23% em três meses e indústria química dá sinais de recuperação no início de 2026

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Quando você coloca fertilizante na terra para produzir soja, abre uma garrafa plástica de água, passa desinfetante no hospital ou usa a embalagem que protege o seu celular, está em contato direto com o trabalho da indústria química. Invisível para a maioria das pessoas, esse setor é um dos alicerces silenciosos da economia brasileira — e os dados do início de 2026, segundo aponta a Associação Brasileira da Indústria Química, ABIQUIM, através de dados apurados pelo Relatório de Acompanhamento Conjuntural (RAC), referente a abril de 2026, trazem uma notícia animadora: depois de um longo período de dificuldades, a química nacional está reagindo, e reagindo com força bem acima da média da economia.

Para a entidade, o Monitor do PIB-FGV, divulgado em 19 de maio de 2026, mostra que a economia brasileira avançou 0,9% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao quarto trimestre de 2025, com crescimento interanual de 1,5%. Na comparação acumulada em doze meses, o ritmo foi de 1,9%. São números positivos, mas que revelam uma recuperação ainda moderada: nos três trimestres anteriores, o PIB havia ficado próximo da estabilidade, com variações dessazonalizadas de 0,0%, 0,2% e 0,0%.

“O que sustentou o resultado foi uma expansão disseminada entre os três grandes setores — agropecuária, indústria e serviços — além de um bom desempenho do consumo das famílias, que cresceu 1,4% no trimestre, o maior ritmo desde julho de 2025. Os investimentos (Formação Bruta de Capital Fixo) também encerraram o trimestre no campo positivo, com alta de 0,9%, puxados pela construção civil. As exportações avançaram 6,5%, lideradas pelo petróleo. Por outro lado, março trouxe um sinal de alerta: na comparação mensal dessazonalizada, a atividade econômica recuou 0,6%, sugerindo que a aceleração do início do ano pode estar perdendo fôlego, em parte por causa das turbulências geopolíticas no Oriente Médio”, diz a ABIQUIM durante apresentação do RAC.

Em valores correntes, o PIB brasileiro acumulado até o fim do primeiro trimestre de 2026 foi estimado em R$ 3,443 trilhões, com taxa de investimento de 19,1% — um patamar razoável, mas ainda distante dos níveis necessários para sustentar um ciclo robusto de crescimento de longo prazo.

Dentro desse quadro macroeconômico de recuperação gradual, a indústria de transformação — o coração do setor manufactureiro brasileiro — segue em terreno difícil. A base de comparação dos últimos doze meses ainda é desfavorável para boa parte dos segmentos industriais, e a queda das importações de bens intermediários (-4,4 pontos percentuais de contribuição negativa ao total das importações no trimestre) reflete, em parte, a fragilidade das cadeias produtivas industriais.

O setor manufatureiro brasileiro acumula anos de perda de participação no PIB e enfrenta pressões combinadas de câmbio, custo de energia, concorrência internacional e desinvestimento crônico. É nesse cenário de recuperação econômica ainda tímida e indústria manufatureira pressionada que o desempenho do setor químico se destaca de forma particularmente expressiva, sinaliza a entidade.

A química vai na contramão: alta de quase 23% em três meses
O Relatório de Acompanhamento Conjuntural (RAC) da Abiquim, referente a abril de 2026, mostra que a produção da indústria química cresceu 22,8% no acumulado dos três primeiros meses do ano, na comparação com o fim de 2025. As vendas no mercado interno acompanharam esse ritmo e subiram 22,7% no mesmo período. Para colocar em perspectiva: enquanto o PIB total cresceu 0,9% no trimestre, a química avançou mais de vinte vezes esse ritmo em termos de produção física. A diferença não é apenas de magnitude — é de direção.

Foto jdn2001cn0/Pixabay

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