A declaração do ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, um dos presidenciáveis, de que “quem está contaminado por Vorcaro não pode ser presidente”, abriu uma nova frente de desgaste político dentro do próprio campo aliado da direita. O deputado estadual Robinson Almeida (PT) reagiu imediatamente com ironia: “e candidato a governador da Bahia pode, Caiado?”.
A provocação atingiu em cheio o ex-prefeito de Salvador ACM Neto, pré-candidato ao governo baiano.O motivo é o vínculo financeiro revelado entre empresa ligada a ACM Neto e o Banco Master, controlado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Informações divulgadas pelo Coaf apontam pagamentos milionários atribuídos a contratos de consultoria firmados com empresa do ex-prefeito. Relatórios citados nas investigações mencionam transferências que ultrapassariam R$ 5,5 milhões.
As explicações dadas por ACM Neto até aqui não conseguiram encerrar as dúvidas levantadas, principalmente diante da crescente repercussão nacional do caso envolvendo Vorcaro e o Banco Master. O episódio passou a representar um desgaste político difícil de ignorar no cenário pré-eleitoral baiano. A fala de Caiado ganhou peso justamente por partir de um aliado histórico do mesmo campo político de ACM Neto. Ao tentar se distanciar de qualquer aproximação com Vorcaro, o ex-governador goiano acabou criando um critério político que agora volta contra setores da própria oposição. A declaração atinge diretamente o ex-prefeito de Salvador.
Para Robinson Almeida, as conexões de ACM Neto com Daniel Vorcaro são evidentes depois dos pagamentos feitos pelo Banco Master a ele, revelados pelo Coaf. “A frase de Caiado, que parecia direcionada apenas a Flávio Bolsonaro, acabou servindo de combustível para atingir seu aliado na Bahia, o vice-presidente do União Brasil”.
foto divulgação Robson Almeida
