A indústria química gaúcha reuniu, nesta segunda-feira (18), representantes do setor produtivo, autoridades públicas, empresários e lideranças institucionais no Fórum Indústria Química RS: competitividade, inovação e desenvolvimento do Brasil, realizado no Centro de Eventos da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), em Porto Alegre (RS).
Promovido pela Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), em parceria com o Sindicato das Indústrias Químicas do RS (Sindiquim RS) e o Comitê de Fomento Industrial do Polo RS (Cofip), o encontro debateu os desafios e oportunidades para o fortalecimento da indústria química gaúcha e nacional em um cenário marcado por tensões geopolíticas, aumento da competitividade internacional e necessidade de fortalecimento da produção local.
Competitividade e soberania industrial
Ao longo da manhã, lideranças do setor destacaram a importância de políticas industriais consistentes, da inovação e da articulação entre iniciativa privada e poder público para ampliar a competitividade da cadeia química brasileira, considerada estratégica para o desenvolvimento econômico e para a soberania nacional.
Na abertura do evento, o presidente-executivo da Abiquim, André Passos Cordeiro, ressaltou o papel da indústria química como base para diferentes cadeias produtivas e destacou a necessidade de fortalecimento da produção nacional diante do avanço das importações e das transformações do cenário global. “Nosso propósito de trabalho é aumentar a soberania nacional de uma cadeia produtiva que é fundamental para o desenvolvimento do País, principalmente em frentes como as importações de resinas estrangeiras que impactam a nossa competitividade. Com as implementações do REIQ e do Presiq estamos caminhando na direção de uma nova indústria, mais competitiva, tecnológica e sustentável”, afirmou.
Durante o painel sobre o futuro da indústria química no Rio Grande do Sul, André Passos também destacou diferenciais competitivos da indústria química brasileira, como a menor pegada de carbono em comparação aos principais mercados internacionais, o alto valor agregado dos produtos e a capacidade histórica de abastecimento mesmo em cenários adversos.
O debate também abordou os impactos das importações sobre a indústria nacional e a necessidade de preparação estrutural do setor. Para o presidente do Sindiquim RS, Maurício Ecker Fontana, o Brasil precisa fortalecer sua capacidade produtiva e investir em qualificação profissional para enfrentar a concorrência internacional. “Temos de fazer o dever de casa, como o fez a China de forma muito bem-feita e que hoje é referência número um em insumos químicos. Certamente, no ritmo que vai, será também competitiva em produtos pré-elaborados e acabados”, alertou.
Representando o Cofip RS, o diretor administrativo Sidnei Anjos defendeu maior integração entre os diferentes atores envolvidos no desenvolvimento da indústria química brasileira. “Os interesses de todas as partes devem vir para a mesa para aí sim fazermos um plano de médio e longo prazo no qual o Estado, em seu sentido mais amplo, precisa vir com investimentos para colher retorno positivo lá na frente”, afirmou.
Energia, infraestrutura e desenvolvimento regional
A relevância estratégica do Polo Petroquímico de Triunfo para o fortalecimento da indústria química nacional também esteve entre os temas centrais do encontro. Ao apresentar os impactos do REIQ e do Presiq no Rio Grande do Sul, o engenheiro químico e sócio-fundador da MaxiQuim, João Luiz Zuñeda, destacou a capacidade de inovação e a infraestrutura diferenciada do complexo gaúcho.
“A indústria química está no centro da estratégia de desenvolvimento da indústria brasileira como um todo e está pronta para voltar a crescer. O Polo Petroquímico de Triunfo não gera apenas matéria-prima, gera inovação e conhecimento, com profissionais extremamente qualificados. Trata-se de um complexo de dar inveja ao mundo, com logística integrada internacional, de valor único”, disse.
Foto Crédito: Rodger Timm/ Agência Preview/Abiquim
