Entidades empresariais se manifestaram após o anúncio pelo Banco Central de redução de 0,25% da Selic. Agora a taxa de juros no país fica a 14,50% ao ano. É a segunda queda consecutiva da taxa básica de juros, em meio a um cenário de fortes incertezas internacionais, inflação e aumento da volatilidade econômica.
Para a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), apesar do movimento de redução, a taxa de juros permanece em um patamar muito elevado para a realidade da economia brasileira e continua sendo um dos principais entraves ao avanço do investimento produtivo no País. Juros altos desestimulam a expansão da atividade econômica, limitam novos projetos, encarecem o crédito e direcionam recursos para o mercado financeiro em detrimento do setor produtivo.
“A Construção Civil, setor estratégico para o desenvolvimento nacional, sente diretamente os efeitos desse cenário. O ambiente de juros elevados compromete a capacidade de expansão do setor e reduz o ritmo dos investimentos necessários para sustentar o crescimento econômico do País”, diz a nota.
A CBIC também considera que o Brasil precisa atingir patamares de investimento mais próximos da média global, de 25,6%, mas o percentual ficou em 16,8% no ano passado. Esse cenário evidencia a necessidade de políticas econômicas que estimulem o investimento produtivo e garantam condições mais favoráveis para a retomada do crescimento sustentado.
“A continuidade do ciclo de redução da Selic é importante, mas o Brasil precisa acelerar a construção de um cenário macroeconômico que favoreça o investimento, a produção e a competitividade. A construção civil seguirá contribuindo de forma decisiva para esse processo, desde que existam condições adequadas para ampliar os investimentos e impulsionar o crescimento econômico sustentável”, observa.
A Confederação Nacional da Indústria considera insuficiente a reduçãode 0,25% na taxa de juros, que avalia que a cautela excessiva do BCB em relação ao ciclo de cortes da Selic, postura que sufoca ainda mais a economia.
“O custo do capital continuará em um nível proibitivo, inviabilizando projetos e investimentos que poderiam ampliar a competitividade industrial. Ao mesmo tempo, o endividamento das empresas e das famílias bate recorde mês a mês, fragilizando a saúde financeira de toda a economia”, afirma Ricardo Alban, presidente da CNI.
Para Alban, o Banco Central precisa intensificar os cortes na Selic a partir da próxima reunião do Copom. “Uma taxa de juros mais baixa deixou de ser apenas desejável e passou a ser essencial para recuperamos a produtividade e o bem-estar da população brasileira”, completa o presidente da CNI.
Foto José Cruz/Agência Brasil

