Adary Oliveira – ex-presidente da Associação Comercial da Bahia, engenheiro químico e professor (Dr.)
O Brasil é o país do mundo que mais usa combustíveis alternativos destacando-se a gasolina com álcool, óleo diesel com biodiesel e álcool. Os motores dos automóveis foram modificados e há um domínio tecnológico sobre o assunto. Mas quais seriam as vantagens e desvantagens do uso desses combustíveis? É o assunto que vamos explorar neste artigo, mostrando que as vantagens superam as desvantagens.
A gasolina com 30% de álcool apresenta as seguintes vantagens: A solução etanol e gasolina reduz as emissões de carbono e outros poluentes, contribuindo para um ar mais limpo; em geral, a presença de etanol pode proporcionar maior potência em motores otimizados para essa solução; e o etanol é um combustível renovável, pois é produzido a partir de fontes vegetais, como a cana-de-açúcar e o milho. As desvantagens são: O etanol possui menos energia por litro em comparação com a gasolina, o que pode resultar em um consumo maior; e a depender das condições do mercado, o preço do etanol pode flutuar bastante, o que afeta a economia.
O óleo diesel com 15% de biodiesel contabiliza as seguintes vantagens: O biodiesel tem um ciclo de vida de carbono menor, o que ajuda a reduzir a pegada de carbono do veículo; o biodiesel é menos tóxico e se decompõe mais facilmente no meio ambiente em comparação com o diesel convencional; e o biodiesel pode lubrificar melhor as partes do motor, o que pode resultar em menor desgaste. As desvantagens são assim conhecidas: O biodiesel pode ser mais caro de produzir em comparação ao diesel convencional, o que pode refletir no preço ao consumidor; e a manufatura de biodiesel depende de culturas agrícolas, cuja produção pode ser afetada por condições climáticas.
O álcool apresenta as seguintes vantagens: O etanol é um combustível renovável e sua utilização pode reduzir a dependência de combustíveis fósseis; dependendo do preço, o etanol pode ser uma opção mais barata do que a gasolina; e o etanol emite menos poluentes em comparação aos combustíveis fósseis. O etanol possui também desvantagens: o etanol possui menor densidade energética, o que pode resultar em um maior consumo em comparação à gasolina; e em regiões frias, o etanol pode ter problemas de partida e desempenho.
O aumento do uso do álcool combustível automotivo é desejável para o Brasil e isso pode ser obtido se for usado maior proporção de álcool na gasolina. Também no uso do etanol na transesterificação do óleo vegetal ou gordura animal, ao invés do metanol, que é totalmente importado, dependendo apenas do desenvolvimento da tecnologia. Em qualquer situação a escolha depende de diversos fatores, incluindo custo, impacto ambiental e desempenho do veículo.
Mudando de bule para chaleira, mas próximo do mesmo assunto, o Brasil é autossuficiente em petróleo tendo produzido em fevereiro deste ano a média de 4,061 milhões de barris por dia, segundo Boletim da ANP, quantidade superior ao do refino nacional, forçando-nos a realizar exportações do ouro negro. Apesar disso, algumas refinarias privadas não conseguem adquirir petróleo de produção nacional e são obrigadas a importar. Nesses tempos de guerra importar petróleo não é um bom negócio e havendo descuido o Brasil pode desperdiçar algumas divisas. É o que vem acontecendo este ano quando temos exportado petróleo por preço inferior ao do que temos importado.
Segundo dados colhidos através do Comex Stat do MDIC, as importações do mês de março nos custaram US$ 96,76 por barril (CIF Temadre), enquanto as exportações tiveram um valor médio de US$ 73,65 por barril (preço FOB), também no mês de março. Pagamos a mais, portanto, US$ 23,11 por cada barril que importamos. No primeiro trimestre do ano de 2026 a China foi o país maior comprador de petróleo do Brasil tendo sido o destino de 64,78% de nossas exportações de março.
Tal política, do Nordeste importar petróleo por um preço superior ao exportado pelo Sudeste, contribui para acentuar os desníveis regionais e contribui para que o Nordeste continue a participar com menos de 13% do PIB nacional, apesar de sua população ser de cerca de 28% da população do Brasil. Aliás, Celso Furtado, que nasceu em Pombal, na Paraíba, foi o primeiro economista a denunciar essas distorções como a prática do “cambio diferencial”, regime sob o qual a região Nordeste ao exportar para o estrangeiro recebia um dólar subvalorizado, e em seguida comprava ao Sul a preços mais altos que o do mercado internacional, financiando o Sul do Brasil. Isso vem de longe e precisa mudar.
Foto Site Café com Informação

