Os itens eletro eletrônicos, como smartphones e acessórios, moda e beleza lideram as buscas de produtos por brasileiros no Mês do Consumidor, que deve impulsionar as vendas no e-commerce, segundo diagnóstico das plataformas Tray e Bling. Já o CX Trends 2026, da Octadesk e Opinion Box, aponta o marketplace como o canal de compra preferido dos consumidores.
De acordo com as empresas, o mês do consumidor funciona como a primeira grande janela de tração do varejo, após o período mais calmo nos meses de janeiro e fevereiro, e nos quais o orçamento das famílias fica comprometido com gastos com impostos como IPVA, IPTU e o retorno escolar.
Em março de 2025, as vendas do período cresceram 14% e chegaram a R$6,208 bilhões, somando operações em lojas próprias e marketplaces transacionadas em plataformas de e-commerce do ecossistema LWSA, que inclui marcas como Bling, Tray e Bagy.
Segundo Thiago Mazeto, diretor da Tray, a data é uma oportunidade de retomada, desde que a oferta venha acompanhada de execução. “Março costuma ser um ponto de virada depois de semanas mais lentas. Quem combina estratégia comercial e marketing com uma experiência de compra sem atrito consegue capturar volume e elevar ticket médio”, afirma.
Para o executivo, ações de conversão ganham força quando atacam o que mais pesa para o consumidor na comparação. “Kits de produtos, cashback e benefícios que melhorem custo total da compra o ajudam a decidir comprar. E quando a jornada é fluida, esse consumidor tende a voltar a comprar com o lojista”, diz.
Multicanal e operação integrada: o que define o resultado no pico
Se a data cria demanda, a operação define quem converte. Para Marcelo Navarini, diretor do Bling, o varejo chega ao Mês do Consumidor com o desafio de aumentar as vendas em um cenário em que o consumidor está cada vez mais híbrido e multicanal. “O brasileiro responde bem a promoções de desconto direto à mecânicas como ‘compre e ganhe’ e compra cada vez mais influenciado por canais como Instagram e TikTok Shop. Isso exige atuação multicanal com gestão centralizada, para o lojista não perder controle de pedidos, estoque, financeiro e entrega”, afirma.
Navarini destaca que, em períodos de maior volume, recursos de automação são essenciais para o bom desempenho do lojista. “Integração com marketplaces, automação de rotinas fiscais, estoque em tempo real, controle financeiro e conciliação automatizada reduzem erros, aceleram expedição e melhoram previsibilidade. O Mês do Consumidor é um teste de maturidade operacional”, diz.
Marketplaces lideram por confiança e variedade; mas abandono segue alto
Segundo o estudo CX Trends 2026 (Octadesk + Opinion Box), os marketplaces lideram como o canal de compra mais utilizado, com 76% dos consumidores preferindo o canal. Na sequência, loja online, 73%, e lojas físicas, com 69%, também seguem em alta, reforçando um consumidor que transita entre canais e escolhe o que resolve com menos esforço. O estudo também mostrou que 54% realizam compras à noite e de madrugada.
“Vimos no estudo que os marketplaces são os preferidos dos consumidores por transmitirem variedade e confiança. Outro dado interessante é que 88% o consideram um meio seguro para compras, reflexo de um consumidor cada vez mais híbrido e exigente”, afirma Paola Dias, diretora de Negócios da Octadesk.
Por outro lado, o abandono de carrinho ainda continua alto e 67% já desistiram de uma compra uma ou mais vezes no último ano por problemas nos canais digitais. Entre os principais motivos estão frete muito alto (65%), empresa não é confiável/é golpe (56%) e preços elevados (56%).
“Esse volume de abandono mostra que o problema não é só oferta, é experiência. Quando o consumidor percebe que o frete pesa demais, desconfia da loja ou compara e conclui que o preço não vale, ele simplesmente não termina a compra. A concretização da venda online depende de transparência no custo total, sinais claros de confiança e uma jornada de checkout rápida, sem surpresas”, explica.
Foto Mediamodifier/Pixabay
