O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil calculado pelas óticas da Produção, Demanda e Renda — registrou desaceleração no terceiro trimestre de 2025 em relação ao trimestre anterior, com variação de 0,1%, aponta a Associação Brasileira de Automação.
Segundo a entidade, ao comparar o Índice GS1 Brasil de Atividade Industrial com o PIB da Indústria de Transformação ao longo dos trimestres de 2025, observa-se que os dois indicadores seguem trajetórias semelhantes, reforçando o caráter antecedente do índice da GS1 Brasil.
A entidade aponta que ambos os indicadores registraram:
“Perda de ritmo no 1º e 2º trimestre, com variações negativas. Recuperação no 3º trimestre, saindo do campo negativo: O salto observado no terceiro trimestre mostrou uma recuperação pontual da intenção de produção da indústria, comportamento que também apareceu no PIB da indústria de transformação. Indicações de desaceleração no fechamento do ano, sugeridas pelo recuo expressivo do Índice GS1 Brasil de Atividade Industrial no 4º trimestre.”, diz a nota
A Associação Brasileira de Automação revela que, “enquanto o PIB oficial é divulgado com defasagem, o índice da GS1 Brasil oferece uma leitura antecipada da dinâmica industrial, especialmente da indústria de transformação, segmento que representa o núcleo da atividade manufatureira do país”.
O Índice GS1 Brasil de Atividade Industrial está diretamente alinhado à ótica da Produção, monitorando a emissão de códigos de barras pelas indústrias. Por refletir a etapa inicial do processo produtivo, especialmente na indústria de transformação, o índice da GS1 Brasil funciona como um indicador antecedente, capaz de sinalizar tendências antes da divulgação dos resultados oficiais do PIB do setor.
Janeiro de 2026
Em janeiro de 2026, o Índice GS1 Brasil de Atividade Industrial abriu o ano em ritmo mais brando: na série dessazonalizada, o Brasil recuou 12,3% na comparação com dezembro e, na série original, caiu 34,9% frente a janeiro de 2025. No horizonte mais longo, o acumulado em 12 meses está em 16% negativo. A figura acima é consistente com o padrão histórico do começo de ano — momento em que as empresas priorizam planejamento, revisão de portfólio e recomposição de estoques — somada a um efeito-base elevado (o 1º trimestre de 2025 foi excepcional) e à normalização do ciclo pós-rebound de 2022–2023. Em síntese: o dado de janeiro sinaliza calibração do ritmo, não perda estrutural do apetite inovador.
Os recortes setoriais reforçam essa leitura de ajuste. Na passagem dessazonalizada de janeiro contra dezembro, Alimentos recuou 26,9%, Têxtil caiu 14,3%, Vestuário & Acessórios diminuiu 19,4% e Produtos Diversos cedeu 45,1% — todos movimentos típicos de replanejamento de início de ciclo. Bebidas foi o ponto fora da curva, com +57,2%, em linha com janelas de verão e campanhas de maior rotação. Na comparação anual (jan/26 vs. jan/25, série original), a base alta do ano passado amplifica o contraste: Alimentos -45,5%, Bebidas -26,7%, Têxtil -25,0%, Vestuário -23,5% e Produtos Diversos -33,3%.
Em termos de trajetória, a série indica que a intenção de lançamentos costuma ganhar tração a partir do 2º trimestre e atingir pico no 3º trimestre, quando estratégias e calendários comerciais estão consolidados. Assim, a leitura de janeiro reflete, sobretudo, sazonalidade + efeito-base + normalização, mais do que uma mudança estrutural de comportamento. A GS1 Brasil seguirá monitorando esses sinais de retomada com estatísticas de alta frequência e colocando inteligência de dados à disposição de indústria e varejo para apoiar decisões e fortalecer a competitividade ao longo de 2026.
Foto Martinelle/Pixabay
