A vereadora Aladilce Souza (PCdoB) está presente nos circuitos do Carnaval desde o primeiro dia. Para ela, a festa reflete a essência do povo soteropolitano: alegre, vibrante e livre. No entanto, como destacou neste domingo (15), no Observatório da Casa do Povo, no Circuito Osmar, o Carnaval não apenas exibe o que há de melhor na cidade, mas também revela as mazelas, como a extrema pobreza.
“Esse pessoal que vem para a avenida trabalhar, que dorme para marcar um lugar, para defender um dinheiro e pela sobrevivência, é o pobre de todo dia. É a pobreza crônica da cidade. E isso, o Carnaval mostra. É o povo que vem da periferia para a avenida. Isso precisa ser enfrentado pela Prefeitura durante todo o ano. Não vai resolver no Carnaval, tem que começar a dar dignidade de vida às pessoas para elas não precisarem passar por isso durante a festa”, afirmou fazendo uma análise da situação de vendedores ambulantes e catadores.
Para Aladilce, a prefeitura deve investir em planejamento orçamentário, priorizando a geração de emprego e renda, algo que, segundo ela, não foi feito no último Plano Plurianual (PPA).
“Inclusive, a Prefeitura fechou o PPA sem contemplar os pobres e a assistência social, sem investir na geração de emprego e renda. O PPA não priorizou isso. Eu chamei a atenção na Câmara, mas foi fechado sem priorizar os pobres”, pontuou.
Aladilce destacou que este ano a Prefeitura avançou em alguns aspectos como garantir a alimentação, mas “tem que investir no planejamento orçamentário do município para conseguir reduzir a pobreza de grande parte da população”.
“A gente tem uma desigualdade extrema e uma concentração de renda muito grande. Você tem uma pequena parcela da população, digamos que 20%, que vive bem. Ao dar quentinha, dar creche, você está tratando da pontinha do iceberg”, disse, chamando a atenção também para reclamações em relação às duas ações que seguem recebendo críticas e reclamações dos ambulantes sobre a quantidade de vagas nas creches e qualidade da alimentação.
Bloco Xô Assédio
Aladilce também abordou o combate à violência, especialmente a violência contra a mulher, enfatizando a importância de não naturalizar esse problema. “Quatro mulheres são mortas por dia no Brasil. Isso não dá para aceitar”, lamentou. Ela anunciou que apoiará o bloco “Xô Assédio”, como forma de se manifestar contra casos recentes de feminicídio que chocaram o país e estão cada diz mais recorrentes no Brasil. O bloco sai junto com a Mudança do Garcia e tem concentração marcada para às 8h, de segunda-feira (16), no final de linha do bairro.
Aladilce não deixou de abordar outros desafios que a cidade enfrenta durante a Folia de Momo. Ela destacou a necessidade de uma melhor organização do circuito carnavalesco, mencionando problemas de circulação de trânsito. “Sexta-feira, eu levei duas horas do centro para a Barra. É preciso pensar em alternativas”, disse.
Foto: Reginaldo Ipê/Câmara
