Após a leitura da mensagem de reabertura dos trabalhos legislativos na Câmara de Salvador, na manhã desta segunda-feira (2), pelo prefeito Bruno Reis, a vereadora Aladilce Souza (PCdoB) disse desconhecer a cidade “perfeita” apresentada por ele.
Segue declaração da vereadora:
“A fala do prefeito foi de uma cidade com tudo muito positivo, como se nós vivêssemos num conto de fadas, e não é essa a realidade. O prefeito falou que Salvador é uma cidade que o principal imposto, a principal fonte de arrecadação, é o ISS, só que mostra a vitalidade da economia, mostra que as pessoas estão ganhando mais. Só que isso não se reflete no PIB per capita, porque se o ISS vai tão bem, o PIB per capita deveria estar crescendo também. Salvador é a última capital em PIB per capita, ou seja, as famílias não estão, a massa econômica em poder das famílias e das pessoas não está crescendo. Então é preciso ver, acho que Salvador precisa avançar muito mais na geração de renda e emprego.
Outra coisa que o prefeito falou e que não corresponde é a questão da arborização, da sustentabilidade. Nós temos uma cidade extremamente árida, é uma cidade com menor percentual de árvore por população e a gente passa a olhar para a paisagem, a gente vê avenidas e a orla, por exemplo, você não tem nenhuma arborização, o que é o maior problema. O primeiro movimento que foi feito pela prefeitura em 2025 foi a emissão de alvarás para construção de espigões, principalmente na Orla Atlântica, que está virando um verdadeiro paredão de concreto. Então, falar em sustentabilidade, falar em clima mesmo, é uma espécie de fake news, é preciso que o prefeito coloque na prática o que ele está anunciando, o que ele está pregando.
Acho que a cidade, nesse ano de 2026, nós vamos fazer uma fiscalização mais firme, mais intensa ainda em relação às políticas públicas, nós vamos cobrar o PDDU, que seja participativo, que realmente seja resultado da escuta, resultado da interação, não só com a Câmara, mas com todos os outros segmentos organizados da cidade, com a população, com os ambientalistas, com as universidades, com as pessoas, enfim, que vivem a cidade, que constroem a cidade no dia a dia. Não dá pra gente ter um PDDU como o prefeito tem buscado fazer, um PDDU que seja resultado de uma empresa contratada que não conhece a cidade, não tem a sensibilidade dos técnicos e das pessoas, dos políticos que vivem aqui e que conhecem a cidade. Então nós vamos cobrar o PDDU como nós vamos cobrar também uma política de saúde que seja acessível, as pessoas continuam tendo dificuldade de consulta, de exames.
E o transporte, não é verdade que o transporte melhorou. É só ir em qualquer final de linha da periferia, as pessoas estão revoltadas, os ônibus quebram, o ônibus velho, o ônibus que pega fogo. Para piorar, não tem ar condicionado, duas horas no transporte, no Subúrbio mesmo, as pessoas levam duas horas até chegar ao metrô e muitas vezes perdem até o horário da integração. Então, essas políticas fundamentais para a vida da população, como também um problema grave na educação. O prefeito pintou uma coisa que na realidade, que não é nada disso”.
Foto: Ângela Ramos/Divulgação
