Segundo levantamento do economista Matheus Dias, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE), a inflação da cesta de consumo das férias de verão apresentou comportamentos distintos dependendo da inclusão ou não da passagem aérea. Sem considerar o transporte aéreo, a inflação das férias registrou alta de 5,16% no acumulado de janeiro a dezembro de 2025, superior aos 3,73% do ano anterior. Já com a passagem aérea incluída, o índice foi de apenas 2,13%, ante 1,78% em 2024 — evidenciando o forte impacto da deflação das passagens (-23,16%) na contenção das despesas de viagem.
Inflação das Férias sem Passagem Aérea: 5,16%
A versão da cesta que exclui passagem aérea mostra uma aceleração expressiva, saindo de 3,73% em 2024 para 5,16% em 2025 — bem acima do Índice de Preços ao Consumidor (IPC geral), que ficou em 4%. Dividimos a cesta em dois grupos de itens: alimentação; produtos e serviços de lazer.
Alimentação
A cesta de alimentação registrou alta de 6,67%, mostrando uma aceleração em comparação aos 4,78% do ano anterior. Os maiores vilões foram os produtos derivados de cacau: bombons e chocolates dispararam 18,74% e chocolate em pó subiu 18,19%, refletindo a escalada do preço da commodity no mercado internacional.
Na alimentação fora de casa, o destaque ficou por conta do cafezinho (+10,60%), açaí (+9,17%), sucos de frutas (+8,75%) e refeições em bares e restaurantes (+7,75%). Massas preparadas e congeladas também pressionaram, com alta de 7,71%.
Por outro lado, alguns itens trouxeram alívio: sorvete e picolé recuaram 2,59%, queijo prato caiu 2,76% e queijo muçarela teve leve queda de 0,39%. O leite condensado praticamente estabilizou (+0,27%).
Produtos e serviços de lazer
Os produtos e serviços de lazer (excluindo passagem aérea) subiram 2,12%, ante 1,68% em 2024. O grande destaque de alta foi o teatro, que disparou 10,90%. Protetores solares avançaram 9,8%, revertendo a queda de 5,54% do ano anterior. Clube de recreação (+6,29%), hotel (+5,07%) e academia de ginástica (+4,88%) também pressionaram.
Na direção oposta, bonecas (-2,99%), artigos esportivos (-2,63%) e cinema (-1,32%) registraram deflação.
Inflação das férias com passagem aérea: 2,13%
Quando se inclui a passagem aérea na cesta, a Inflação das Férias fica bem mais contida: 2,13% em 2025, ante 1,78% em 2024 — abaixo do IPC geral de 4%.
O efeito da passagem aérea
Para o economista, a passagem aérea foi o grande fator de contenção do índice, com deflação de 23,16% em 2025, após já ter recuado 11,50% em 2024. “A queda acumulada de 30% em dois anos reflete, em grande parte, a redução do custo dos combustíveis de aviação. Por exemplo, o querosene de aviação no Índice de Preço ao Atacado (IPA), que havia caído 11% em 2024, continuou registrando queda em 2025, com variação de -2,7%. Essa redução acumulada foi importante para reduzir a pressão nos custos do setor, dando margem a reduções de preços”, explicou Matheus Dias.
Esse movimento fez com que o grupo de produtos e serviços (que inclui passagem aérea) registrasse queda de 3,64%, compensando parcialmente a alta de 6,67% da alimentação.
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