Fábio Costa Pinto – jornalista editor do portal de notícias – Inteligência Brasil Imprensa, membro do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira de Imprensa — ABI e membro das Comissões de Liberdade de Imprensa e dos Direitos Humanos.
A Luta por um Jornalismo de Resistência e a Estupidez Coletiva. “Os estúpidos são mais perigosos que os bandidos e os malvados. Não há nada mais perigoso que um estúpido com poder” Carlo Cipolla – Historiador italiano.
Em 13 de janeiro de 2025, em Lauro de Freitas, Bahia, um incidente me levou a retomar meus artigos e a denunciar o que venho enfrentando há anos: a perseguição e a estupidez coletiva, sem falar na inveja e no medo do que eu poderia revelar.
Bem, a atitude dessa perseguição e a estupidez coletiva, encontrei explicação nas reflexões de dois grandes intelectuais. Primeiro, o historiador italiano Carlo Cipolla, para quem “os estúpidos são mais perigosos que os bandidos e os malvados”, porque causam perdas a outros sem obter qualquer ganho para si mesmos. Em seguida, a reflexão do filósofo Dietrich Bonhoeffer, membro da resistência alemã antinazista, que na prisão tentou entender como um povo tão culto pôde apoiar Hitler. Ele concluiu que a Alemanha foi vítima de uma “estupidez coletiva”, que não é um defeito psicológico, mas um fenômeno sociológico e contagioso.
Há quatro anos, venho denunciando e cobrando das autoridades policiais e jurídicas a apuração e punição de crimes contra jornalistas, radialistas e profissionais da imprensa, além de povos originários, quilombolas, negros, mulheres, crianças e idosos, ou seria perseguição politíca?. O que eu tenho vivenciado, imagino, é uma reação direta a essa atuação. Venho sendo seguido na rua, em mercados, farmácias, bancos e nas redes sociais, numa tentativa de prejudicar meu trabalho digno e ético. “Que mal faz uma pessoa de bem?”, pergunto, diante de tanta perversidade.
Minha atuação é uma resposta a esse cenário. Não sou apenas um jornalista, sou um ativista. Membro do Conselho Deliberativo da ABI e de comissões de direitos humanos e liberdade de imprensa, escrevo artigos como colaborador em vários sites e portais como Brasil 247, Tribuna da Imprensa Livre, portal de notícias IBI, Jornal Brasil Popular, entre outros, para dar voz aos invisíveis. Minha luta é um lembrete constante de que a impunidade não é mais suportável em um país com esperanças. Diante da estupidez e da covardia, devemos sempre registrar um boletim de ocorrência, saber quem são os incomodados, ou quem é o mandante ou se é só um criminoso, já registrei dois, na delegacia virtual. A luta para que a justiça prevaleça, será a consequência.
No Brasil, exercer o jornalismo tem se tornado, cada vez mais, um ato de coragem e na Bahia não é diferente. A violência e a perseguição contra jornalistas deixaram de ser episódios isolados para se tornarem um problema estrutural que ameaça diretamente a liberdade de imprensa e, consequentemente, a democracia. Em um país que se diz democrático, é alarmante que profissionais responsáveis por informar a população sejam alvos constantes de intimidação, agressão e silenciamento.
Relatórios recentes da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e do Repórteres Sem Fronteiras apontam que o Brasil figura, com frequência, entre os países mais perigosos das Américas para o exercício do jornalismo. Casos de ameaças, agressões físicas, ataques virtuais, processos judiciais abusivos e assassinatos de jornalistas continuam a ocorrer, especialmente contra aqueles que investigam corrupção, crime organizado, violência policial e abusos de poder local.
Grande parte dessas agressões acontece fora dos grandes centros urbanos, onde jornalistas trabalham com pouca visibilidade e quase nenhuma proteção. Em cidades pequenas e médias, denunciar irregularidades envolvendo políticos, empresários ou grupos criminosos pode significar viver sob ameaça constante. O resultado, em alguns casos, é a autocensura: reportagens deixam de ser publicadas, investigações são interrompidas e a população permanece desinformada.
Além da violência física, o Brasil enfrenta um cenário preocupante de perseguição simbólica e institucional. Ataques verbais contra jornalistas, vindos inclusive de autoridades públicas, ajudam a criar um ambiente hostil ao trabalho da imprensa. Quando líderes políticos deslegitimam jornalistas, estimulam seus seguidores a fazer o mesmo, normalizando o ódio, a intimidação e a violência. Esse discurso não é inofensivo: ele abre espaço para agressões reais.
Outro fator grave é o uso do sistema judiciário como forma de intimidação, por meio de processos excessivos e pedidos de indenizações, até milionárias contra jornalistas e veículos de comunicação. Esse tipo de perseguição, conhecido como assédio judicial, não busca justiça, mas o esgotamento financeiro e psicológico do profissional, funcionando como uma forma indireta de censura.
A impunidade também é uma marca desse problema no país. Muitos crimes contra jornalistas não são devidamente investigados, e os mandantes raramente são responsabilizados. Essa ausência de respostas do Estado transmite uma mensagem perigosa: atacar a imprensa pode sair barato. Sem justiça, a violência se repete e se aprofunda.
É preciso dizer com clareza: não existe democracia sem liberdade de imprensa. Quando jornalistas são calados, quem perde é a sociedade. O cidadão deixa de ter acesso a informações essenciais para formar opinião, fiscalizar governantes e exercer plenamente sua cidadania. A violência contra jornalistas não é um problema da categoria, mas uma ameaça direta ao direito coletivo à informação.
Proteger jornalistas no Brasil exige mais do que discursos em defesa da liberdade de expressão. Exige políticas públicas eficazes, investigações sérias, punição dos responsáveis e compromisso real das instituições com a democracia. Também exige uma mudança cultural: é necessário reconhecer o jornalismo como um pilar democrático, não como um inimigo.
Defender jornalistas é defender o direito de todos à verdade. Em um país marcado por desigualdades, corrupção e desinformação, silenciar a imprensa é um retrocesso que o Brasil não pode aceitar, e nem a Bahia.
Em resumo, este artigo não é apenas uma crítica social; ele é um testemunho de vida e uma convocação à ação. Não tenho medo de covarde.
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