Adriana Duarte – especialista em Inteligência Artificial
Num mundo digitalizado, em que usamos tecnologia para praticamente todas as atividades do cotidiano, pessoas com algum tipo de deficiência, como visual ou auditiva, encontram obstáculos digitais como interfaces pouco intuitivas, comandos confusos ou recursos de acessibilidade limitados que comprometem autonomia e experiência.
Criar tecnologia acessível vai muito além de cumprir normas ou oferecer funcionalidades adicionais. É pensar em soluções que funcionem de forma natural, sem esforço extra, que permitam a qualquer pessoa navegar, interagir e realizar tarefas com fluidez. Trata-se de unir inovação à empatia, projetando experiências inteligentes que ampliem possibilidades e promovam independência.
Acessibilidade de verdade não é um detalhe. É estratégia, eficiência e inteligência aplicada. Interfaces claras, fluxos de navegação intuitivos e recursos adaptativos não beneficiam apenas pessoas com deficiência, mas todos que buscam praticidade e autonomia em suas rotinas digitais.
Alguns projetos, como o Vicop, ilustram bem como essa visão se traduz em prática: soluções que simplificam processos cotidianos sem jamais comprometer a experiência ou a elegância da tecnologia. Mais do que um aplicativo, é uma demonstração de que a inclusão pode ser natural, fluida e estratégica.
A acessibilidade não deve ser vista como custo, mas como diferencial competitivo. Empresas e plataformas que a incorporam aumentam valor percebido, atraem públicos mais exigentes e fortalecem sua reputação. Inovação e relevância caminham lado a lado quando tecnologia e inclusão se encontram.
No final, todos vivemos limites. A tecnologia pensada para superar barreiras reais hoje cria novas oportunidades para todos, amanhã. Acessibilidade não é um tema à parte. É essência da tecnologia bem concebida, futuro que se constrói com inteligência, perseverança e propósito.
- Adriana Duarte é especialista em inteligência artificial aplicada à acessibilidade e autora do livro Além da Visão: Uma História de Coragem, Fé e Superação, que será lançado em setembro. Deficiente visual desde o nascimento, atua há 20 anos no atendimento a públicos vulneráveis e na promoção da inclusão social. Atualmente cursa MBA em Inteligência Artificial pela Faculdade Iguaçu e lidera o desenvolvimento do aplicativo ViCop, voltado à mobilidade urbana de pessoas com deficiência visual, que está em fase de testes. Adriana é referência no debate sobre autonomia e inclusão, com forte presença nas redes sociais e no ativismo por uma tecnologia aplicada para ajudar pessoas.